Estudo extraído do site www.atosdois.com.br
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Você é a Shekinah de Deus!

Tipo: Estudos bíblicos
/ Autor: Pr. Thiago Pixinine


Este estudo tem por finalidade promover o esclarecimento de um erro teológico e trazer luz a respeito de uma revelação extraordinária para a igreja de Yahushua e por fim, produzir edificação do corpo do Mashiach.

Quando, numa ocasião, estudávamos sobre a glória de Deus, a fundo, constatamos que a tão usada palavra "Shekinah", no meio cristão, para se referir a glória do Eterno, na verdade não existe, nem no Antigo Testamento, nem no Novo Testamento.

No original, a palavra mais usada para se referir a glória do Eterno é "Kavod".

Dentro deste contexto, recebemos luz da parte do Senhor, para entendermos uma verdade muito maior, conforme você poderá acompanhar e concluir com o texto a seguir.

Análise Gramatical do Verbo:

O que chega mais perto da palavra "Shekinah" no AT é o verbo "Shakhan".

-Significado:

שכן shakan (verbo)

uma raiz primitiva [aparentemente semelhante (por transmissão) com a idéia de alojar]; DITAT: 1) instalar, habitar, residir, morar em tenda, morar;

-Morfologia ou Sintaxe:

1a) (Qal) : Verbo mais comum nas Escrituras: Ele comeu, Ele sentou e etc:1a1) instalar para permanecer, 1a2) habitar, morar, residir ;1b) (Piel); Forma intensiva: Ele quebrou em pedaços;1b1) levar a instalar, estabelecer; 1b2) fazer morar; 1c) (Hifil) Expressa a ação causativa: Ele comeu, ele fez comer!;1c1) colocar, pôr, assentar, estabelecer, instalar, fixar; 1c2) fazer morar ou habitar.

Etimologia

Shekhinah é derivada do verbo hebraico שכן(shkn). No hebraico bíblico, a palavra significa literalmente, assentamento, habitação ou moradia, e é usada com freqüência na Bíblia hebraica (ver Êxodo 40:35: " Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porquanto a nuvem permanecia [Shakhan] sobre ela, e a glória do SENHOR enchia o tabernáculo". Ver também por exemplo,Gênesis 9:27, Gênesis 14:13, Salmos 37:3, Jeremias 33:16), bem como na bênção semanal do Shabat, recitada no Templo de Jerusalém ("Ele, que faz com que o seu nome habite [shochan] nesta Casa, para habitar no meio de vocês o amor e fraternidade, paz e amizade").

O vocábulo "shechiná" não aparece na Bíblia Judaica nem no Novo Testamento, sendo uma palavra derivada da raiz hebraica ש-כ-נ (sh-k-n), cujo significado é "habitar", "fazer morada".

A Shechiná, como uma idéia concreta, aparece só na Literatura rabínica, havendo somente "alusões" a esta presença divina, no meio do povo de Israel, na Torá, quando Deus disse ao seu povo "וְעָשׂוּ לִי מִקְדָּשׁ וְשָׁכַנְתִּי בְּתוֹכָם" - "e fareis um santuário para Mim, e habitarei no meio deles (dos israelitas)"; "וְשָׁכַנְתִּי בְּתוֹךְ בְּנֵי יִשְׂרָאֵל, וְהָיִיתִי לָהֶם לֵאלֹהִים" - "e habitarei no meio dos filhos de Israel, e serei-lhes por Deus"; e "יְהֹוָה צְבָאוֹת הַשֹּׁכֵן בְּהַר צִיּוֹן" - "o Eterno dos exércitos, aquele que habita em Sião".

KABOD ou KAVOD

Apalavra traduzida por glória no original é Kabod (כבוד kabowd raramente כבד kabod).

A palavra glória, em hebraico kavod, literalmente significa “pesar” ou “ser pesado”. O conceito representa a presença de Deus entre os seres humanos, que deixa uma impressão altamente significativa entre eles. É importante saber que a glória é característica intrínseca de Deus.

A Kavod no AT

Entendemos desta maneira que Shekinah, na verdade, é a habitação da Kavod de YHWH. O AT está saturado de referência a glória de Deus e por várias vezes esta glória foi representado em forma de nuvem.

"Tendo os sacerdotes saído do santuário, uma nuvem encheu a Casa do SENHOR, de tal sorte que os sacerdotes não puderam permanecer ali, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR enchera a Casa do SENHOR." (1Rs 8:10-11)

A nuvem, o resplendor, os sons presentes nas inúmeras manifestações da Kavod, são na verdade apenas representações, breves vislumbres da glória, pois está escrito que homem algum pode ver a glória de Deus e permanecer vivo. O homem que chegou mais perto da realidade da glória foi Moisés (Ex 33:18-23).

Uma pessoa rica e poderosa, quando se desloca para algum lugar, sua chegada é precedida por uma preparação de maneira que aquele lugar tenha condições mínimas de receber esta pessoa e quando esta pessoa chega, não chega sozinha, junto com ela chega sua fama, seus carros, seus criados, seus seguranças, seus trajes e utensílios caríssimos (Gn 45:13). A glória, na verdade, é tudo aquilo que Deus é, tem e está a sua volta.

Para entender a Kavod, temos que estudar a palavra: Glória nas Escrituras descreve o esplendor e a majestade de Deus (1 Cr.29:11; Hc. 3:3-5), é um poder tão grande que homem algum pode contemplar (Ex.33:18-23), o máximo que se pode ver é a aparência da semelhança da glória (Ez.1:26-18). Esta é a glória que se manifesta de forma visível. Esta faceta da divindade, que é a menor de todas as outras revelações, é o meio comunicativo entre o homem e Deus. Ela é "mensurável" de acordo com a posição de cada pessoa e dos seus atos; sendo que, às vezes, ela se revela e, às vezes, se oculta.

A Kavod no NT

Aqui começamos a ter uma maior luz sobre o mistério que envolve a Kavod, pois é nos relatos do NT que vemos o desdobramento da distinção entre Shekinah e Kavod.

Entendemos anteriormente, que a palavra shekinah não existe no AT, mas tem origem no vervo Shakan que, por sua vez designa uma habitação, uma morada. Este verbo (shãkan) é utilizado 129 vezes no AT, a maioria das vezes no qual (111), piel (12), hiphil (6). Em 43 vezes Deus é o sujeito do verbo: Ele habita no Monte Sião (Sl.74:2); Ele habitará em Jerusalém (Zc.8:3); em Jerusalém o Senhor escolheu para ali fazer habitar seu nome (Dt.12:11). Em diversos textos, há representação simbólica da presença divina habitando no meio do povo: A glória divina habitará na terra (Ex.24:16; Sl.85:9,10).

Sabemos que os tabernáculos e templos do AT, são, na verdade, uma figura que apontam para um plano muito maior de Deus para os homens, até por que, Deus não habita em templos feitos por mãos de homens.

"O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens." (Ats 17:24)

Deus é espirito e só um templo espiritual é capaz de comportar adequadamente a glória de Deus.

"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1Co 3:16)

O espirito do homem é a habitação da glória de Deus.

Em pentecostes (Shavuot), a Kavod desceu no Sinai diante dos olhos de todo o Israel, porém retornou para céu, mas em outro momento, também em pestecostes, a glória foi derramada sobre 120 discípulos num cenáculo em Jerusalém, desta vez, no entanto, ela não retornou, mas permaneceu e está conosco até hoje.

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós." (Joã 14:16-17)

Deus nos elegeu para sermos sua Shekinah ambulante aqui na terra, e através de nós manifestar a sua Kavod ao mundo.

"Eu mesmo dei a eles a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um. Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade, e para que o mundo reconheça que tu me enviaste e que os amaste, como amaste a mim." (Joã 17:22-23)

"Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós." (Rom 8:18)

"E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito! Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso o ministério da justiça. Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobreexcelente glória. Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente. Tendo, pois, tal esperança, servimo-nos de muita ousadia no falar. E não somos como Moisés, que punha véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que se desvanecia. Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado. Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito." (2Co 3:7-18)

Olhe agora no espelho e declare que você é a manifestação da glória de Deus aos homens na terra.

Dados do autor:

Nome:
Pr. Thiago Pixinine

Detalhes:
Exerce um ministério de ensino profético através de conferências pelo Brasil. Conhecido pelo site www.thiagopixinine.com.br - Ministério Ruja o Leão