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O Incio da Igreja Primitiva
Tipo: Estudos bíblicos / Autor: Pr. Rodrigo M. de Oliveira

 
O termo igreja primitiva tambem chamada como igreja dos apostolos refere-se às primeiras pessoas que se identificavam como cristãs.

Na inauguração da igreja em Jerusalém, após o retorno de Jesus aos céus, os primeiros cristãos viviam unidos e compartilhavam seus bens e a cada dia a igreja crescia em número.

Quando a perseguição aos cristãos começou, eles foram dispersos por vários lugares levando assim o evangelho de Jesus Cristo a toda parte do mundo.

A palavra igreja vem do grego ekklesia, que tem origem em kaleo ("chamo ou convosco"). Na literatura secular, ekklesia referia-se a uma assembléia de pessoas, mas no NT a palavra tem sentido mais especializado. A literatura secular podia usar a apalavra ekklesia para denotar um levante, um comício, ou uma reunião para qualquer outra finalidade. Mas o NT emprega ekklesia com referência à reunião de crentes cristãos para adorar a Cristo.

Que é a igreja? Que pessoas constituem esta "reunião"? Que é que Paulo pretende dizer quando chama a igreja de "corpo de Cristo"?

Para responder plenamente a essas perguntas apresentamos o seguinte esboço:

O Surgimento da Igreja

Quarenta dias depois de sua ressurreição, Jesus deu instruções finais aos discípulos e ascendeu ao céu (At 1.1-11). Os discípulos voltaram a Jerusalém e se recolheram durante alguns dias para jejum e oração, aguardando o Epírito Santo, o qual Jesus disse que viria. Cerca de 120 pessoas seguidores de Jesus aguardavam.

Cinqüenta dias após a Páscoa, no dia de Pentecoste, um som como um vento impetuoso encheu a casa onde o grupo se reunia. Línguas de fogo pousaram sobre cada um deles e começaram a falar em línguas diferente da sua conforme o Espírito Santo os capacitava.

Durante alguns anos Jerusalém foi o centro da igreja. Muitos judeus acreditavam que os seguidores de Jesus eram apenas outra seita do judaísmo. Suspeitavam que os cristãos estavam tentando começar um nova "religião de mistério" em torno de Jesus de Nazaré.

É verdade que muitos dos cristãos primitivos continuaram a cultuar no templo (At 3.1) e alguns insistiam em que os convertidos gentios deviam ser circuncidados (At 15). Mas os dirigentes judeus logo perceberam que os cristãos eram mais do que uma seita

Nós a Igreja estamos "edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina". Em seguida a isso, passamos mais diretamente a uma consideração de nós mesmos e daquilo que nos caracteriza que, como pedras neste edifício, estamos relacionados com o fundamento, estamos relacionados com o Senhor Jesus Cristo, estamos relacionados com a verdade; porém, e este é o aspecto que o apóstolo parece salientar mais que tudo aqui, também estamos relacionados uns com os outros.

"Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito. " - Efésios 2:2O-22

Escrevendo aos coríntios, o apóstolo diz: "Vós sois a carta de Cristo... escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração" (2 Coríntios 13). É uma obra interna, uma obra misteriosa, que se realiza naquela parte do homem chamada alma.

Governo Eclesiástico.

A princípio, os seguidores de Jesus não viram a necessidade de desenvolver um sistema de governo da Igreja. Esperavam que Cristo voltasse em breve, por isso tratavam os problemas internos à medida que surgiam - geralmente de um modo muito informal.

Mas o tempo em que Paulo escreveu suas cartas às igrejas, os cristãos reconheciam a necessidade de organizar o seu trabalho.

O NT não nos dá um quadro pormenorizado deste governo da igreja primitiva. Evidentemente, um ou mais presbíteros presidiam os negócios de cada congregação (Rm 12.6-8; 1Ts 5.12; Hb 13.7,17,24), exatamente como os anciãos faziam nas sinagogas judaicas. Esses anciãos (ou presbíteros) eram escolhidos pelo Espírito Santo (At 20.28), mas os apóstolos os nomeavam (At 14.23).

Por conseguinte, o Espírito Santo trabalhava por meio dos apóstolos ordenando líderes pra o ministério. Alguns ministros chamados evangelistas parecem ter viajado de uma congregação para outra, como faziam os apóstolos. Seu título significa "homens que manuseiam o evangelho". Alguns têm achado que eram todos representantes pessoais dos apóstolos, como Timóteo o foi de Paulo; outros supõem que obtiveram esse nome por manifestarem um dom especial de evangelização. Os anciãos assumiam os deveres pastorais normais entre as visitas desses evangelistas.

Paulo e os demais apóstolos reconheceram que o Espírito Santo concedia habilidades especiais de liderança a certas pessoas (1Co 12.28). Assim, quando conferiam um título oficial a um irmão ou irmã em Cristo, estavam confirmando o que o Espírito Santo já havia feito.

A igreja primitiva não possuía um centro terrenal de poder. Os cristãos entendiam que Cristo era o centro de todos os seus poderes (At 20.28).

Ao tempo em que Paulo escreveu suas epístolas pastorais, os cristãos reconheciam a importância de preservar os ensinos de Cristo por intermédio de ministros que se devotavam a estudo especial, "que maneja bem a palavra da verdade" (2Tm 2.15).

A igreja primitiva não oferecia poderes mágicos, por meio de rituais ou de qualquer outro modo.

Os cristãos convidavam os incrédulos para fazer parte de seu grupo, o corpo de Cristo (Ef 1.23), que seria salvo como um todo. Os apóstolos e os evangelistas proclamavam que Cristo voltaria para o seu povo, a "noiva" de Cristo (Ap 21.2; 22.17). Negavam que indivíduos pudessem obter poderes especiais de Cristo para seus próprios fins egoístas (At 8.9-24; 13.7-12).

Ordem do Culto

Geralmente o culto matutino era uma ocasião de louvor, oração e pregação. O serviço improvisado de adoração dos cristãos no Dia de Pentecoste sugere um padrão de adoração que podia ter sido geralmente adotado. Primeiro, Pedro leu as Escrituras. Depois pregou um sermão que aplicou as Escrituras à situação presente dos adoradores (At 2.14-36). As pessoas que aceitavam a Cristo eram batizadas, seguindo o exemplo do próprio Senhor. Os adoradores participavam dos cânticos, dos testemunhos ou de palavras de exortação (1Co 14.26).

A Ceia do Senhor

Os primitivos cristãos tomavam a refeição simbólica da Ceia do Senhor para comemorar a Última Ceia, na qual Jesus e seus discípulos observaram a tradicional festa judaica da Páscoa. Os temas dos dois eventos eram os mesmo. Na Páscoa os judeus regozijavam-se porque Deus os havia libertado de seus inimigos e aguardavam com expectação o futuro como filhos de Deus. Na Ceia do Senhor, os cristãos celebravam o modo como Jesus os havia libertado do pecado e expressavam sua esperança pelo dia quando Cristo voltaria (1Co 11.26).

A princípio, a Ceia do Senhor era uma refeição completa que os cristãos partilhavam em suas casas. Cada convidado trazia um prato para a mesa comum. A refeição começava com oração e com o comer de pedacinhos de um único pão que representava o corpo partido de Cristo. Encerrava-se a refeição com outra oração e a seguir participavam de uma taça de vinho, que representava o sangue vertido de Cristo.

Batismo

O batismo era um acontecimento comum da adoração cristã no templo de Paulo (Ef 4.5). Contudo, os cristãos não foram os primeiros a celebrar o batismo. Os judeus batizavam seus convertidos gentios; algumas seitas judaicas praticavam o batismo como símbolo de purificação, e João Batista fez dele uma importante parte de seu ministério. O NT não diz se Jesus batizava regularmente seus convertidos, mas numa ocasião, pelo menos, antes da prisão de João, ele foi encontrado batizando. Em todo o caso, os primitivos cristãos eram batizados em nome de Jesus, seguindo o seu próprio exemplo (Mc 1.10; Gl 3.27).

Parece que os primitivos cristãos interpretavam o significado do batismo de vários modos - como símbolo da morte de uma pessoa para o pecado (Rm 6.4; Gl 2.12), da purificação de pecados (At 22.16; Ef 5.26), e da nova vida em Cristo (At 2.41; Rm 6.3). De quando em quando toda a família de um novo convertido era batizada (At 10.48; 16.33; 1Co 1.16), o que pode significar o desejo da pessoa de consagrar a Cristo tudo quanto tinha.

O Corpo de Cristo

Paulo descreve a igreja como "um só corpo em Cristo" (Rm 12.5) e "seu corpo" (Ef 1.23). Em outras palavras, a igreja encerra numa comunhão única de vida divina todos os que são unidos a Cristo pelo Espírito Santo mediante a fé. Esses participam da ressurreição (Rm 6.8), e são a um tempo chamados e capacitados para continuar seu ministério de servir e sofrer para abençoar a outros (1Co 12.14-26). Estão ligados numa comunidade que personifica o reino de Deus no mundo.
Pelo fato de estarem ligados a outros cristãos, essas pessoas entendiam que o que faziam com seus próprios corpos e capacidades era muito importante (Rm 12.1; 1Co 6.13-19; 2Co 5.10). Entendiam que as várias raças e classes tornam-se uma em Cristo (1Co 12.3; Ef 2.14-22), e deviam aceitar-se e amar-se uns aos outros de um modo que revelasse tal realidade.

Descrevendo a igreja com o corpo de Cristo, os primeiros cristãos acentuaram que Cristo era o cabeça da igreja (Ef 5.23). Ele orientava as ações da igreja e merecia todo o louvor que ela recebia. Todo o poder da igreja para adorar e servir era dom de Cristo.

PERSEGUIÇÕES DA IGREJA ANTIGA

Nero tem o privilégio de ser o primeiro imperador romano a perseguir a Igreja Cristã. Tácito conta a suspeita de que o próprio Nero ordena o incêndio que destruiu parte de Roma. O rumor foi tão amplamente aceito que Nero tinha de encontrar um bode expiatório. A perseguição se restringiu a Roma e seus arredores. Pedro e Paulo morreram nesse período.

A perseguição estourou pela segunda vez em 95 durante o governo despótico de Domiciano. Os judeus tinham se recusado a pagar um imposto criado para o sustento de Capitolinus Jupeter. Por serem identificados com os judeus, os cristãos sofreram também os efeitos da fúria do imperador. Foi durante essa perseguição que sofreram também os efeitos da fúria do imperador. Foi durante esta perseguição que o apóstolo João foi exilado na ilha de Patmos, onde escreveu o livro de Apocalipse.

A CAMINHADA DA IGREJA

A Igreja primitiva ajudava os necessitados com as coleta de doações dos crentes todos os domingos (I Co. 16:1-2). Os diáconos deveriam então cuidar daqueles que passavam por necessidades. As mulheres das igrejas também ajudavam esta obra de caridade ao fazer roupas para aqueles que necessitassem.

A igreja não acusou a instituição de escravidão diretamente; possuir escravos também não era proibido aos cristãos. O cristianismo, porém minou aos poucos a instituição da escravidão ao recordar a senhor e escravo cristão que eles eram irmãos em Cristo.

A Igreja primitiva insistia na separação das práticas pagãs da sociedade romana, mas não insistia na separação dos vizinhos pagãos em relações sociais que não fossem prejudiciais. Realmente Paulo permitiu por interferência o convívio social que não comprometesse ou sacrificasse os princípios cristãos (I Co.10:20-33). Ele mesmo exortou, porém, a separação total de qualquer prática que pudesse estar relacionada à idolatria ou à imoralidade pagã.

Apesar desta atitude de separação moral e espiritual, os cristãos estavam prontos para, como próprio Paulo exortou, cumprir suas obrigações cívicas de obediência e de respeito às autoridades constituídas, pagamento de taxas e de oração pelas autoridades ( Rm. 13:7, I Tm. 2:1-2 ). Eles eram excelentes cidadãos, desde que não fossem instados a violar os preceitos de Deus, a maior autoridade a quem deviam obediência absoluta.

A pureza de vida, o amor e a coragem da Igreja primitiva em permanecer fiel, e morrer se necessário, exerceram um forte impacto sobre a sociedade pagã da Roma imperial, o que durou três séculos, desde a morte de Cristo até o reconhecimento oficial por Constantino da importância do Cristianismo para o Estado, chegando ele mesmo a convocar e presidir o Concilio de Nicéia.

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Escrito por: Pr. Rodrigo M. de Oliveira (Maiores informações no final da página)
 
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O artigo acima é colaboração de " Pr. Rodrigo M. de Oliveira "
Professor de Teologia Sistemática na Cadeira de Apocalipse e Escatologia. Professor no Instituto Teológico Quadrangular.
Conferencista, e consultor teológico. Apologista Cristão Evangélico.
www.rodrigoteologia.blig.com.br
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