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HÁ UM BÁLSAMO EM GILEADE?
Tipo: Estudos bíblicos / Autor: Pr. José Pinto de Oliveira

 
HÁ UM BÁLSAMO EM GILEADE?
TEXTO – JEREMIAS 8.4-22
INTRODUÇÃO - Este capítulo nos ensina que devemos estar nos convertendo a Deus e vivendo de maneira digna diante dEle, pois, isso é o nosso culto racional(Rm.12.1 “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”).

1.POR QUE HOUVE NO POVO UM DESVIO DO PROPÓSITO DE DEUS – VSS.4-7
É sempre assim. Deus determina e nos mostra princípios na Sua Palavra para seguirmos e, no entanto, nos desviamos daquilo que o Senhor determinou. Vejamos...
V.4 – “Dize-lhes mais: Assim diz o Senhor: Quando caem os homens, não se tornam a levantar?”
Os vss.4-7 fazem uma série de indagações que desmascaram a horrenda obstinação e rebeldia de Judá, porque Judá não seguia coisa alguma, a não ser seus impulsos interiores, sem nenhuma razão ou desígnio.
O V.4 apresenta uma verdade banal: certos acontecimentos são naturalmente seguidos por outros. Quando um homem cai, ele se levanta logo que lhe for possível. Ele não fica caído ali como se fosse um insensato. Todas as expressões usadas nesse versículo falam em arrependimento, mas os instintos espirituais naturais tinham sido aniquilados em Judá e isso já fazia muitos anos, isto é, tinham caído no pântano do pecado.
V.5 – “Por que, pois, este povo de Jerusalém se desvia...?” Judá tinha caído em um desvio perpétuo e irresistível. Os judeus tinham chegado a amar o ludibrio em que haviam caído, apegando-se a ele como se fosse uma questão de verdade e vida. E quando foram convidados a retornar, descobriram que eles tinham perdido a habilidade de fazê-lo, razão pela qual repeliam a advertência nesse sentido. Mas a experiência humana mostra que há um instinto suicida em muitas pessoas, as quais propositadamente fazem coisas que sabem ser-lhes prejudiciais e não prestam atenção aos protestos dos outro.
O pecado engana e, ainda que um homem possa racionalmente dizer que um vício ou coisa semelhante o prejudicará, ele se sente tão excitado por sua perversão, que não consegue desistir facilmente.
V.6 – “Eu escutei e ouvi; não falam o que é reto, ninguém há que se arrependa da sua maldade.” Eles chegaram a acreditar em suas próprias mentiras(v.5), e o engano embotou a inteligência de um povo inteiro.
V.7 – “Até a cegonha no céu conhece as suas estações.” Algum tipo de lei natural governa o vôo dos pássaros pelos céus, com suas paradas lares temporários. A lei, os julgamentos e as ordenanças do Senhor foram dados como guias do povo de Israel(Dt.6.4), contudo não havia poder que controlasse aquele povo. Veja o que diz Isaías 1.3 : “O boi conhece o seu possuidor, e o jumento o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.”
Os animais são governados pelas leis naturais, mas Judá se deixava guiar por seus impulsos desnaturais e caóticos.
APLICAÇÃO – É tão natural como um homem que tropeça e busca levantar-se, como o viajante que procura sempre se conservar perto da estrada e dos pássaros que migram segundo as estações.

2.PORQUE O POVO REIVINDICAVA PARA SI UMA FALSA SABEDORIA – VSS.8-13
Não é assim que acontece? Sempre encontramos pessoas que se acham sábias demais para ser orientadas, que conhecem a Palavra e não admitem qualquer orientação dada por outro que julgue inferior a si mesmo?
V.8 – “Como pois dizeis: Somos sábios, e a lei do Senhor está conosco?”
Aquele povo tinha uma sabedoria falsa. Jeremias respondeu a todos os fingimentos. Os sofismas deles haviam transformado a verdade de Deus em mentira. As manipulações errôneas da lei, por parte deles, mediante negligência, falsas interpretações e mistura com o paganismo, formaram um sincretismo nojento e anularam os pactos com Yahweh.
“A falsa pena dos escribas.” Os falsos ministros de Judá substituíram a pedra, o estilo e a mensagem. Eles transformaram a Lei do Senhor em um documento mentiroso, repleto de paganismo e idolatria arrogante. Aqueles homens ímpios falsificaram a lei e compuseram seu próprio sistema pútrido, que incorporava algum yahwismo.
V.9 – “Os sábios serão envergonhados, aterrorizados e presos.” Eles rejeitaram a fonte originária da sabedoria, a lei. Mas os pervertedores da retidão, da época de Jeremias, não fomentavam a lei por suas interpretações e ensinos. Eles degradavam a lei, transformando-a em algo que ela não era. Tornou-se claro que aqueles homens não tinham nenhuma sabedoria autêntica. A Palavra do Senhor é a única verdadeira fonte de sabedoria, pois, “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria.”(Sl.119.98-100;Pv.1.7;9.10).
V.10 – “Portanto darei suas mulheres a outros, e os seus campos a novos possuidores.” Todos, desde o menor até o maior, sofreriam o terror, porque todos se haviam envolvido em um grande jogo de ganância e de prejudicar o próximo, por puro esporte(Jr.6.13 “Porque desde o menor até o maior, todos eles são gananciosos; e desde o profeta até o sacerdote, todos eles praticam a mentira.”)
V.11 – “Curam superficialmente a ferida do meu povo.” (Jr.6.14 “Eles cuidam da ferida do meu povo superficialmente, dizendo: Paz! Paz!, quando não há paz.”). Procuram colocar panos mornos. Enganam dizendo que tudo vai bem, quando a realidade é outra bem diferente.
V.12 – “Serão envergonhados porque cometem abominação.” (Jr.6.15 “Eles deveriam envergonhar-se, porque praticaram coisas abomináveis, mas não se envergonham e nem sabem ficar envergonhados. Por isso eles cairão entre os que caem, no tempo em que eu os visitar, eles tropeçarão, disse Iahweh.” O salmista nos afirma que “os ímpios não permanecerão na congregação dos justos.”
V.13 – “Eu os consumirei de todo, diz o Senhor.” Os pseudo-sábios não produziam fruto. Eram estéreis, a despeito de toda a sua jactância e autoglorificação. Assemelhavam-se a vinhas sem uvas e a figueiras sem figos. Devido à sua falta de fruto, eram conhecidos como réprobos(Mt.7.16 “Pelos seus frutos os conhecereis. Acaso colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos cardos?”) Eram pessoas cheias de folhas, isto é, exibidas, mas desprovidas da essência da espiritualidade.
APLICAÇÃO – É tão lógico como um falso pastor ou um teólogo, inimigo da Palavra de Deus(8) poderia persuadir ao povo de que a paz com Deus se obtém superficialmente(11) sem a plenitude da conversão.

3.PORQUE O POVO HAVIA SOFRIDO UMA INVASÃO ESTRANGEIRA – VSS.14-17
V.14 – “Por que estamos ainda sentados aqui? Reuni-vos e entremos nas cidades fortificadas.” Nenhuma esperança continuou a ser embalada, nem houve mais convites vãos ao arrependimento. Judá avançara demais em seu caminho de desobediência para ser capaz de reverter à maré do julgamento de Deus, que já “perdera a paciência.” Deus não iria mais dar vitórias surpresas para eles, como aconteceu algumas vezes no passado. Deus estava disposto a não mais defendê-los.
V.15 – “Espera-se a paz, e nada há de bom; o tempo da cura, e eis o terror.” Os falsos profetas tinham prometido em vão a “paz”, e era precisamente a paz que aqueles apóstatas estavam querendo, pelo que se enganavam a si mesmos, acreditando nessa palavra mentirosa(Jr.6.14). Mas quando chegou o temido dia do ataque babilônico, tornou-se evidente que não haveria paz, nem bem, nem cura, mas somente terror.
V.16 – “Desde Dã se ouve o resfolegar dos seus cavalos; toda a terra treme.” O exército babilônico era imenso e terrível. Avançava como um leão que devoraria tudo que estivesse pela frente. As cidades fortificadas seriam sua presa, e nenhuma dela poderia esboçar resistência. Os habitantes dessas cidades seriam esmagados pela fera.
V.17 – “Porque eis que envio entre vós serpentes... e vos morderão.” Agora apareciam como serpentes que não cederiam diante de encantadores, chegando em massa para morder e matar, e era Deus quem dizia que eles fariam isso, porquanto cumpririam Sua vontade para castigar o povo de Judá.
APLICAÇÃO – É tão natural sermos invadidos por uma avalanche de novidades que têm abalado a nossa estrutura como Igreja do Senhor, e ficamos a espera que essas novidades tragam solução para nós. O que acontece? O inimigo se aproveita dessa situação para enganar até muitos escolhidos.

4.PORQUE O POVO ESTAVA FERIDO – VSS.18-22
V.18 – “Oh! Se eu pudesse consolar-me na minha tristeza!” O profeta de debatia em meio a uma tristeza imensa, provocada pela calamidade nacional em Judá. Quando ele tentava consolar-se ou encontrar algo que o consolasse, seu coração, em vez de reagir favoravelmente, meramente desmaiava dentro dele(Is.22.4 “Diante disso, eu disse: Desviai de mim os vossos olhos, que eu choro amargamente; não insistais em consolar-me da ruína sofria pela filha do meu povo.”) Sua tristeza não lhe permitia curar-se, e seu coração estava enfermo.
V.19 – “Eis a voz do clamor da filha do meu povo de terra mui remota.” O choro de Judá era ouvido por toda a extensão da Terra Prometida, em toda a sua extensão e largura. Nenhuma porção da terra, por pequena que fosse, estava isenta da calamidade que se tinha abatido; mas todos, a uma só voz, clamavam em vão a Deus, pois, Deus estava indiferente aos seus clamores. Quanto a essa indiferença de Deus(Sl.10.1;28.1;59.4;82.1), estamos aqui tratando de um julgamento de pecado, no qual o povo endurecido colhia o que havia semeado.
“Filha do meu povo.” Esse era um modo comum de referir-se ao povo, talvez para destacar que os judeus estavam envolvidos em um terno relacionamento, visto que a filha de um homem é favorita aos seus olhos e seus sofrimentos são profundamente sentidos.
“Com suas imagens de escultura, com os ídolos dos estrangeiros?” Temos aqui a causa da calamidade que tinha ferido universalmente a nação de Judá: sua idolatria-adultério-apostasia. A idolatria sem dúvida era a verdadeira razão para essa calamidade.
V.20 – “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos.” Aqui especificamente, a salvação é física, e não espiritual. Alguns intérpretes vêem aqui o “verão” como o período de tempo que Deus dera a Judá para arrepender-se e assim evitar a invasão babilônica. As festas que eram realizadas pelo povo tais como: da Páscoa(safra da cevada), do Pentecostes(safra do trigo) e festa dos Tabernáculos(safra das frutas no outono), todas elas tinham passado, e não havia alimentos salvadores na Terra Prometida. O povo de Judá estava morrendo de fome.
V.21 – “Estou quebrantado pela ferida da filha do meu povo.” A “ferida” do povo de Judá era uma chaga no coração, algo que pode ser muito severo e potencialmente fatal e que salienta a natureza drástica da calamidade que ameaçava a vida de toda a nação.
V.22 – “Acaso não há bálsamo em Gileade? Ou não há lá médico?” O bálsamo era uma resina da árvore Styrax, que tornava Gileade, famosa. Usada com fins medicinais, era exportada. Havia alguma genuína propriedade curativa na sua substância, pois, de outra maneira, não seria tão largamente procurada e aplicada. Judá, em seu tempo de grave aflição, não tinha bálsamo nem da parte dos homens nem da parte de Deus. Seus sofrimentos não tinham alívio algum e resultariam na morte. Um emplastro preparado com tais gomas era usado para curar ferimentos. Judá estava destituída de curadores e de medidas curativas. A Lei e os Profetas eram bálsamos espirituais que o povo tinha rejeitado, não havendo cura na hora da crise.
Mas o Sl.103.3 “Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas enfermidades.”
Seja como for, a filha do povo de Deus, não recebia alívio de parte alguma, fosse ele divino ou natural, o que significa que permanecia espiritualmente doente e em aflição.
APLICAÇÃO – A palavra hebraica que se traduz pelo vocábulo óleo, ou azeite, é também a mesma que se traduz por bálsamos ou ungüentos(2 Rs.20.13;Pv.17.9;Ec.7.1;9.8;10.1Ct.1.3;4.10;Is.57.9;Am.6.6;Veja perfumarias). A pergunta é: “Acaso não há bálsamo em Gileade?” Sim. Há bálsamo em Gileade:
• Para que você não seja um derrotado – em 1ºSm.10.6 “E o Espírito do Senhor se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e serás transformado em outro homem.” A unção divina nos transforma em pessoas diferentes. O crente que recebe a unção de Deus na sua vida torna-se muito intrépido e forte. A mente se aclara. O seu espírito torna-se sensível. Ficamos conscientes do mundo invisível ao nosso redor.
• Para que você seja conservado – “o bálsamo de Gileade” precisa estar sobre a sua vida diariamente. Isso fará de você um companheiro íntimo do Espírito Santo de Deus. Passe tempo na presença do Senhor e permita-lhe enchê-lo com Ele mesmo e com o Seu poder. Você é o vaso que Deus quer usar, e esse vaso não pode estar ressecado. Convide o “médico de Gileade” para que verta sobre você o “bálsamo”, refrescando e renovando a sua vida.
• Para que a unção de Deus em você seja aumentada – Sl.23.5 “Unges-me a cabeça com óleo; o meu cálice transborda.” No Oriente Médio, os pastores regularmente esfregam azeite em seus animais, para impedir que os insetos venham a molestá-los. A idéia de esfregar aqui é a seguinte:
a) Deus está vigiando para ver se você está conservando aquilo que você já possui;
b) Deus está observando se você faz questão que Ele continue o centro da Sua vida e das suas decisões;
c) Deus está observando com quem é que você está se associando. Quando você se associa a pessoas cheias do Espírito Santo de Deus, isso produzirá efeitos notáveis em sua vida.

CONCLUSÃO – A Igreja de Jesus Cristo existe para curar. Ela é uma “casa de misericórdia”, onde, através do sacrifício feito por Jesus Cristo em nosso favor, as pessoas são libertas da maldição do pecado. Este poder foi conferido pelo Senhor Jesus, o médico de Gileade(Lc.10.19 “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo, e nada absolutamente vos causará dano.”)
Como ministros de Deus precisamos cuidar para não cair nos erros dos sacerdotes e profetas contemporâneos de Jeremias. Eles foram rebeldes, desobedientes, idólatras e corruptos(Jr.6.28;8.10).
O Deus Eterno, através de Jesus Cristo, conferiu à Igreja recursos para tratar as feridas das pessoas. O lamento de Deus foi demonstrado com uma pergunta:”Acaso não há bálsamo em Gileade? Ou não se acha lá médico? Por que, pois, não se realizou a cura da filha do meu povo?” O médico de Gileade é Jesus Cristo, o bálsamo é o Espírito Santo, e a Igreja é o instrumento através do qual o ferido recebe os benefícios do médico e do bálsamo: vida em abundância(João 10.10).
Pr. José Pinto de Oliveira Filho
 

Escrito por: Pr. José Pinto de Oliveira (Maiores informações no final da página)
 
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O artigo acima é colaboração de " Pr. José Pinto de Oliveira "
Pr. José Pinto de Oliveira Filho
Pastor da Igreja de Cristo Pentecostal no Brasil - I.C.P.B.
Formação - Bacharel em Teologia e Administração de Empresas.
Casado e pai de três filhos.

 
 
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