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Para Expulsar Um Demônio eu Preciso Saber o Nome Dele ?!

Para expulsar um demônio,
eu preciso saber o nome dele?

Dos cinco casos específicos em que Jesus expulsou demônios (Mc 1.23-28; Mc 5.1-9; Mc 7.24-30; Mc 9.14-29; Lc 13.10-13), em apenas um deles (Mc 5.1-9) Jesus perguntou a um demônio qual era seu nome. Sendo assim, em regra não é preciso saber o nome de um demônio para expulsá-lo, mas, como toda regra tem uma exceção, dependemos do Espírito Santo para nos guiar, quando for o caso de ser necessário saber o nome de um demônio. Em Marcos 5.9 Jesus perguntou ao espírito imundo: “...Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos.” Não creio que o Senhor queria tão somente deixar registrada a possibilidade de possessão por uma Legião, com a argumentação de que Ele é conhecedor de todas as coisas, e que portanto, já sabia de tudo a respeito daqueles demônios que estavam no gadareno (ou geraseno). O que foi que Jesus perguntou? “Quantos de vocês estão neste homem?” ou “Qual é o teu nome?” Se Jesus quisesse tão somente deixar registrada a possibilidade de possessão por uma Legião, Ele simplesmente ensinaria isso, da mesma forma que Ele ensinou em Mateus 12.45 que o demônio expulso pode voltar com outros sete espíritos piores do que ele, e não, fazer uma pergunta a um espirito imundo como uma forma de ensinar isso.

Para explicar melhor esta questão, vou ter que sair um pouco da demonologia e entrar um pouco na cristologia. Antes quero deixar bem claro que creio na doutrina da trindade. Bom! vamos lá: Que antes e após a sua encarnação Jesus era e é conhecedor de todas as coisas, isso é verdade, mas que durante a sua encarnação, Jesus foi conhecedor de todas as coisas, no meu modo de entender isso é pura “eisegese”. Exegese significa literalmente “extrair significado de”. Refere-se ao processo de buscar entender o que um texto quer dizer ou comunicar por si mesmo. Já “eisegese” significa “achar o significado em”. É usado para designar a prática de impor um significado preconcebido ou estranho a um texto, mesmo que tal significado não tenha sido a intenção original do autor.

No começo do seu evangelho João escreveu: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e O VERBO ERA DEUS.” (Jo 1.1) E no versículo “14” ele descreve a encarnação desse Verbo: “E o Verbo SE FEZ CARNE, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” Em Filipenses 2.6,7 Paulo descreve o que Jesus fez para se encarnar: “pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, A SI MESMO SE ESVAZIOU, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e reconhecido em figura humana”

Quer o esvaziamento tenha sido de uma forma imparcial (ou seja, Cristo se esvaziou de toda a plenitude da divindade, isto é, deixou de ser Deus) ou de uma forma parcial (Cristo se esvaziou apenas de seus atributos [Onipotência, Onipresença, Onisciência, etc] mas não deixou a forma de Deus, apenas assumiu também a forma humana, em outras palavras, assumiu também toda a plenitude da humanidade, sendo ao mesmo tempo 100% Deus e 100% homem), seja de uma forma ou de outra, é obvio, que durante a encarnação Ele não poderia ter seus atributos divinos, ou no mínimo, ele os tinha mas foram desativados, caso contrário, Ele não poderia ser modelo para nós.

Durante a encarnação de Jesus, as obras que Ele fez, somente as fez, pois foi ungido com o Espírito Santo e poder e por que Deus era com Ele (At 10.34). Infelizmente a humanidade de Jesus é um tema negligenciado entre os crentes, apesar de tudo quanto se diz o contrário, pois enfatizam tão-somente a divindade de Cristo. Na pratica muitos tem crido num Cristo docético, ou seja, num Cristo humano apenas na aparência; o que seria uma heresia antiga. De acordo com este ponto de vista, tudo quanto Cristo fez em sua missão terrena, como seus milagres e sua impecabilidade é atribuído a sua natureza divina. Porém, a verdade desta questão é que Jesus cumpriu a sua missão terrena como homem, dependendo do Espírito Santo, que lhe foi conferido sem medida (Jo 3.34), para ter todo o poder que exerceu. Embora não admitem, é exatamente por crerem num Cristo docético, que muitos torcem a passagem de João 14.12, se recusando a crer no que está escrito: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.” Fazer as mesmas obras que Jesus fez? E até outras maiores? Eu, um simples ser humano? Pois é, foi o ser humano Jesus quem disse estas palavras. Já fui muito questionado por teólogos e pastores, que dizem que Jesus falou “maiores” apenas no sentido de “quantidade” e não no sentido de “qualidade”. Será?!

Durante a sua encarnação, Jesus teve as limitações físicas que todo ser humano tem. Ele dormia (Mt 8.24), tinha fome (Mt 21.18), se cansava (Jo 4.6) e tinha sede (Jo 19.28). Teve também limitações intelectuais. Ele crescia em conhecimento (Lc 2.52), adquiria conhecimento pelas observações (Mc 11.13), adquiria conhecimento pelas perguntas (Mc 5.9,30; 8.5,23; 9.16,21), e por si próprio não tinha conhecimento do futuro (Mt 24.36). Teve também limitações morais. Ele foi tentado (Mt 4.1; Lc 4.1; Mc 1.12; Hb 2.18 e 4.15), sendo que Deus não pode ser tentado (Tg 1.13). E finalmente, Cristo teve também limitações espirituais. Ele venceu, não porque também era divino durante a encarnação, mas sim, porque era um homem consagrado e dedicado a Deus. Se assim não fosse, não teria poder, não teria orientação e teria sucumbido diante das tentações. Porém, Cristo foi um homem de oração (Lc 3.21,22; 5.15,16; 6.12,13; 9.18,28,29; 11.1; 22.39-46).

O termo “docético”, indica a posição daqueles que ensinam que todas as obras extraordinárias de Cristo em sua missão terrena, se devem à sua divindade, sendo que a humanidade de Cristo era apenas “aparente”. Muitos crentes ou teólogos evangélicos, embora em suas declarações doutrinárias digam o contrário, ensinam a heresia docética de uma forma parcial. É lógico que não a ensinam de uma forma plena, pois se assim fosse, teriam que ensinar também que os sofrimentos e a morte de Jesus não eram reais, porém, crêem parcialmente nesta heresia, quando atribuem as obras extraordinárias de Cristo durante a sua encarnação à sua divindade, e não, ao poder do Espírito Santo que estava sobre Ele. Todos os textos bíblicos usados para provar a inverdade de que Jesus era Onisciente (conhecedor de todas as coisas) durante a encarnação, no máximo provam o que já foi dito, que Ele adquiria conhecimento pela observação, pelas perguntas e que era um homem de oração que recebia revelações do Espírito de Deus (Mt 9.4; 17.27; Lc 19.41-44; Jo 1.47,48; 2.24,25; 4.17-19; 6.64; 16.30; 18.4; 21.17). Quem vê em Jesus nestes versículos, um Deus Onisciente se manifestando, se aproxima perigosamente de uma heresia chamada “docetismo”.

Agora! retornando para a demonologia, eu quero deixar bem claro que eu não estou usando a passagem de Marcos 5.9 para defender a livre consulta aos espíritos imundos. Não! mil vezes não. Quem consulta os espíritos são os espíritas. O que eu estou defendendo é uma vida como a de Jesus, uma vida consagrada de oração e jejum, na dependência do poder e da orientação do Espírito Santo (Lc 3.21,22; 4.1,14,18,19). Se o Espírito Santo não me revelar o nome do demônio, o demônio é expulso sem nome. Se o Espírito Santo me revelar o nome do demônio, o demônio é expulso com nome. Se o Espírito Santo (como fez com Jesus) me orientar a perguntar o nome do demônio ao mesmo, com certeza eu pergunto, e o demônio é expulso com o nome perguntado. Amem!



O artigo acima é colaboração de: Pr. Sandro de Souza Oliveira
Sandro de Souza Oliveira é pastor e vice-presidente da Igreja Batista do Calvário em Rio das Ostras – RJ. É autodidata e tem um chamado
com louvor e libertação.

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