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MINISTÉRIO APOSTÓLICO ATOS DOIS - EDIFICANDO VIDAS E IGREJAS

Diaconisa é Bíblico ?!
Tipo: Estudos bíblicos / Autor: Pr. Sandro de Souza Oliveira

 
Diaconisa é Bíblico ?!

Muito me chama a atenção o fato de alguns não aceitarem até mesmo a ordenação de diaconisas. Quero neste artigo defender biblicamente, lingüisticamente e historicamente, o fato de ordenarmos diaconisas. Vamos lá!

Em primeiro lugar, no meu N.T Grego Analítico, está registrado que “diakonos”, em Rm 16.1, é substantivo, acusativo, feminino, singular, e não verbo como já ouvi alguém falar.

Em segundo lugar, de acordo com minha Concordância Fiel do N.T Grego/Português, “diakonos” aparece em Mt 20.26; 22.13; 23.11; Mc 9.35; 10.43; Jo 2.5,9; 12.26; Rm 13.4; 15.8; 16.1; 1 Co 3.5; 2 Co 3.6; 6.4; 11.15,23; Gl 2.17; Ef 3.7; 6.21; Fp 1.1; Cl 1.7,23,25; 4.7; 1 Ts 3.2; 1 Tm 3.8,12; 4.6. Esta palavra é usada cinco vezes para homens específicos no N.T.: Apolo (1 Co 3.5); Tíquico (Ef 6.21; Cl 4.7); Epafras (Cl 1.7); e Timóteo (1 Ts 3.2). Será que as traduções estão fazendo justiça quando traduzem “serva” ou “está servindo” para Febe (Rm 16.1), e “diácono” ou “ministro” para homens?! No Artigo “Uma Igreja Batista Deve Ordenar Diaconisas?” Eu li:

“Mas a palavra "diakonos", usada por Paulo em referência a Febe, não é um termo técnico e significa simplesmente uma serva. Paulo, ao aplicar este termo a Febe não diz que ela era uma oficial ordenada na igreja, mas sim que era uma serva. O Senhor Jesus usa o termo servo (diakonos) neste mesmo sentido não-técnico em Marcos 10:43, ao dizer: "qualquer que dentre vós quiser ser grande, será vosso serviçal", ou servo (diakonos). O Senhor não disse, nem quis dizer aqui: "Qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso diácono". Este termo é um substantivo comum e não próprio, referindo-se a um ofício na igreja.

Os mesmos comentaristas dizem o seguinte a respeito de Atos 6.1-7:

Esta passagem conta sobre a escolha dos primeiros diáconos da igreja primitiva em Jerusalém. Os apóstolos ao instruírem a igreja para escolher estes diáconos apresentam uma lista com algumas qualificações que devem ter, e uma delas requeria especificamente que fossem homens. Versículo 3: “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.” A palavra grega traduzida como homens, neste versículo é "aner", a qual nunca é usada para o sexo feminino no Novo Testamento. Ela sempre se refere a uma pessoa do sexo masculino. mulher foi escolhida nesta primeira eleição e isto não aconteceu porque os apóstolos disseram à igreja para escolher sete homens a serem ordenados diáconos.

Agora vejam só que pré-conceito! Vejamos: “(2) Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir (diakonein) às mesas. (3) Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço; (4) e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério (diakonia) da palavra.” Aonde está o sentido técnico em Atos 6.2,4?! A palavra “diakonos” nem é usada nesta passagem. No versículo “2” nós temos “diakoneō” (“servir”), e no versículo “4” nós temos “diakonia” (“serviço”). Será que os apóstolos estavam dizendo que era para estes sete homens serem “diáconos” servidores de mesas e eles “diáconos” pregadores da Palavra?! Onde está escrito que eles foram os primeiros diáconos da igreja primitiva em Jerusalém?! Pelo contrário, pelo menos dois deles foram sim grandes evangelistas (At 6.8-15; 7.1-60; 8.4-13,26-40; 21.8).

Em terceiro lugar, no meu N.T. Grego Interlinear, do Dr. Waldir Carvalho Luz, em sua tradução literal de Rm 16.1, ele traduziu: SunÛsthmi (Posto junto,) d¢ (porém,) êmÝn (a vós) FoÛbhn (Febe) t¯n (a) Ždel¯n (irmã) ²mÇn (de nós) oïsan (sendo) kaÜ (também) di‹konon (diaconisa) t°w (da) ¤kklhsÛaw (igreja) t°w (a) ¤n (em) KegxreaÝw, (Cencréia,). O N.T. Interlinear da Sociedade Bíblica do Brasil também traduz di‹konon por diaconisa. O meu N.T. tradução do P. Dr. Frei Mateus Hoepers, (1958 – Editora Vozes Limitada) traduz: “...diaconisa da igreja de Cêncris.”. A NTLH traduziu: “...diaconisa da igreja de Cencréia.” A NVI traduziu: “...serva da Igreja em Cencréia.” mas no rodapé colocou: “Ou diaconisa”.

Em quarto Lugar, existe uma outra palavra grega que é usada em Rm 16.2 (prostatis), que segundo o meu Léxico do N.T. Grego/Português, significa: (1.) estar a frente (de), liderar, dirigir com gen. 1 Tm 3.4s; 12; 5.17. Talvez Rm 12.8; 1 Ts 5.12 (2.) estar preocupado com, cuidar de, ajudar talvez Rm 12.8; 1 Ts 5.12. Ocupar-se com, engajar-se em Tt 3.8,14.

Em quinto lugar, O Dr Waldir traduziu “prostatis” como “pessoa posta à frente”, embora numa tradução paralela ele reconheça que “prostatis” também possa ser traduzido por “patrocinadora” e “protetora”. Mulher posta à frente de homens?! Mulher patrocinadora de homens?! Mulher protetora de homens?!

Em sexto lugar, se 1 Tm 3.11, se refere às esposas dos diáconos, pelo fato das qualificações dos diáconos, continuarem no v.12, porque parece mais lógico Paulo terminar as qualificações dos diáconos antes de mencionar as diaconisas; então porque motivo não temos as qualificações das esposas dos bispos?! Elas poderiam ser de qualquer jeito?! Somente as esposas dos diáconos é que tinham de ser respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo?! Só posso chegar a uma conclusão, Paulo está falando dos diáconos e das diaconisas, nada de esposas de diáconos como vemos em algumas traduções.

Em sétimo e último lugar, há evidências que em cerca de 111 d.C. o cargo de diaconisa existia oficialmente na Igreja Cristã. Plínio, governador da Bitínia, registrou que interrogara, sob torturas, duas mulheres que eram chamadas “diaconisas”, na igreja cristã. Seu interrogatório dizia a respeito à natureza dos “ritos” cristãos (ver Epístola xcvi). Evidentemente Plínio procurava provas sobre supostas práticas de canibalismo, o que sem dúvida, fora uma suspeita provocada por uma interpretação pervertida, da parte de alguns pagãos, no que tange à Ceia do Senhor. Por semelhante modo, as chamadas “Constituições Apostólicas” que pertencem a uma época posterior, mencionam a existência de “diaconisas”. Nessa época, nos fins do segundo século da era cristã. Mais tarde ainda, esse encargo se tornou oficial na igreja cristã. (Ver Constituições Apostólicas 2.26 e 3.7,15). Nesse mesmo documento aprendemos que algumas funções, eram consideradas melhor ocupadas por mulheres, como no caso do batismo de outras mulheres, certos serviços sociais que requeriam aos crentes que entrassem nas câmaras das mulheres, ou como a apresentação de mulheres ao diácono ou pastor das igrejas locais. As Constituições Apostólicas, por igual modo, descrevem a “ordenação” de tais mulheres, tal como certos varões eram ordenados para diversos dos ofícios eclesiásticos. Essas Constituições Apostólicas consistem de oito volumes, os quais abordam questões litúrgicas, doutrinárias e instruções morais, com data do século III d.C., ou, quando muito, dos fins do segundo século de nossas era. As responsabilidades dessas diaconisas, conforme se mencionou mais acima, se centralizaram em torno dos membros femininos das igrejas cristãs. Eram elas as supervisoras de mulheres, de uma maneira que homens não podiam fazer. Também lhes cabia o cuidado pelos pobres ministrando aos enfermos, cuidando dos mártires e confessores nas prisões, instruindo aos catecúmenos, batizando outras mulheres, e fazendo outras coisas de semelhante natureza. Provavelmente a maioria dessas diaconisas provinha de mulheres de mais idade, certamente sendo quase todas pertencentes à classe das viúvas. Crisóstomo (407 d.C.), quando era pastor da igreja de Constantinopla, contava, como seus assistentes, com quarenta diaconisas e oitenta diáconos. Depois de sua época, devido ao desenvolvimento do eclesiasticismo no meio cristão, houve a gradual substituição desses diáconos e diaconisas por freiras e diáconos, os quais representam ofícios de natureza mais puramente clerical, mais formal. Até aos tempos de Vicente de Paulo (1576-1660), tais pessoas viviam em clausura. Vicente, entretanto, formou uma sociedade de mulheres não enclausuradas, para funcionarem como diaconisas, que ministravam aos pobres e enfermos, as quais, com o tempo, vieram a receber o título de “irmãs de caridade”. Depois da reforma protestante, alguns grupos protestantes retiveram o encargo oficial de diaconisas, como sucedeu entre os menonitas, na Holanda, como também entre alguns grupos da igreja angricana. Posteriormente, alguns grupos luteranos também adotaram essa prática. Em 1940, havia cerca de cinqüenta mil diaconisas luteranas na Alemanha, na Holanda, na Escandinávia, na Suíça e nos Estados Unidos da América do Norte. Existem outros grupos protestantes (isto é evangélicos) modernos, como alguns grupos presbiterianos, metodistas, batistas e anglicanos, que têm ordenados diaconisas, visando especialmente, a trabalhos que envolvam questões sociais, ou outras questões dependendo da denominação.

 

Escrito por: Pr. Sandro de Souza Oliveira (Maiores informações no final da página)
 
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O artigo acima é colaboração de " Pr. Sandro de Souza Oliveira "
Sandro de Souza Oliveira é pastor e vice-presidente da Igreja Batista do Calvário em Rio das Ostras – RJ. É autodidata e tem um chamado
com louvor e libertação.

 
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